Mensapocalypto

Existe essa associação chamada MENSA, ela aceita apenas as pessoas muito inteligentes como membros. Os candidatos fazem uma prova, parecida com aquelas de Q.I., e apenas os 2% melhores são aceitos.
Reza a lenda que o governo dos EUA levaria os membros da MENSA para abrigos nucleares especiais de onde sairiam para ajudar a reconstruir a civilização.

Dr. Egon Boiffard
Então um dia alguém da Junta de Chefes declara DEFCON 1. Todos os gênios cadastrados pela MENSA são arrancados de suas casas por caras do serviço secreto, deixando pra trás seus menos dotados entes queridos. Lógico.

Depois do choque inicial os escolhidos passam o tempo comendo comida enlatada, jogando xadrez e montando cenários hipotéticos do que iam encontrar quando saíssem do bunker.

Qual o sistema de governo ideal? Como gerir a economia para garantir crescimento e prosperidade para todos sempre? Como manter as pessoas inteligentes e instruídas? Como manter alguma categoria de pessoas burras enquanto não desenvolvem robôs trabalhadores braçais?

Nenhuma surpresa que o excesso de testosterona intelectual mais a falta de pessoas menos inteligentes com as quais ficar se medindo levou à atritos. As rusgas iam desde a instituição de fábricas de bebês perfeitos ao uso de *really* smart drugs até mesmo a criação de notas de 42 dólares.

Quando todos estavam prestes a se matar eis que os indicadores dizem que é seguro sair e as portas se abrem automaticamente. Os geniosinhos mimados correm para fora onde encontram destruição mas também uma multidão maltrapilha. Os do mundo exterior ficam curiosos a respeito dessas pessoas de aspecto tão bem cuidado dadas as circunstâncias e se interessam por sua história. Os cabeçudos tentam todos contar a história ao mesmo tempo, cada um se considerando mais capacitado para tarefa.

Alguns dias depois a multidão acampada finalmente consegue discernir o sentido do que os escolhidos representam e da sua proposta. Sendo assim tomam a atitude mais inteligente que uma multidão de indivíduos bem adaptados o suficiente para sobreviver ao pior de uma guerra atômica sem toda a parafernália tomaria: matar a todos numa frenética orgia de sangue, vísceras e cérebros. Muito feio de se ver, mas pessoas têm de extravasar depois de serem lançadas num inverno nuclear enquanto tentavam levar suas vidas, não?

E pra história ficar mais freak ainda, imaginem algo como um final do He-man ou dos Thundercats, onde todo mundo pára pra dar a moral da história. Isso mesmo, a moral da história! Essa coisa meio vitoriana que de alguma maneira ressurgiu  nos desenhos dos anos 80. Vejamos…

Um dos sobreviventes maltrapilhos olhando pra câmera, o festim sangrento ao fundo. Ele sorri, brincando com um coração em suas mãos vermelhas: “Crianças, lembrem-se de também pensar com o coração.” Ele sorri, pisca, e corre em direção da animação.

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There’s a Starman waiting in the sky

Conversa com minha filha, deitado com ela num banco e olhando pra um céu de poucas estrelas.

ela: “Olha, tem uma estrela ali.”
eu: “Só tem uma.”
ela: “Não, tem mais duas, mas são bem pequenininhas.”
eu: “É mesmo. Sabia que elas podem estar mais longe que essa que parece grande? Pode ser que chegando bem perto a pequenininha seja mais brilhante que essa maior. Só tem que chegar perto.”
ela: “Eu posso ir num foguete.”
eu: “É, um foguete pode servir.”
ela: “Ou um avião.”
eu: “Um avião que voa no espaço.”
ela: “Não, um avião que voa de noite!”

Redenção em Shawshank

Numa madrugada dessas da vida assisti um filme aleatório, se chamava “Um Sonho de Liberdade”, e é baseado num conto de Stephen King, mas só reparei no autor muitos anos depois. Eu pensava que ele só escrevia histórias com horrores alienígenas. Esse filme é um desses que se ninguém avisar você não dá nada por ele, pelo menos assim me parecia na época, passando na sessão guarda noturno/insone crônico.

É a história de como o rico banqueiro Andy Dufresne pegou vinte anos na prisão de Shawshank por assassinar sua amada esposa e o cara que estava comendo ela. Na verdade ele não assassinou, mas ora, todo mundo é inocente em Shawshank.

Red e Andy assistindo um filme em Shawshank

Ele então conhece Red (que eu teimo em chamar de Morgan Freeman e, cara, se você quer fazer um filme bom ficar melhor, coloque Morgan Freeman na narração, mas tenha o cuidado do casting parecer casual, ou as pessoas dirão “putz, o diretor quis Morganfreemizar o filme”), que é um muambeiro em Shawshank. Red não ficou muito impressionado com Andy

“Tenho de admitir, não achei grande coisa de Andy a primeira vez que pus os olhos nele. Parecia que uma leve brisa podia soprá-lo pra longe. Esta foi minha primeira impressão sobre o homem.”

Toda prisão tem tarados (deve ser um esquema de cotas), e estes sim acharam grande coisa de Andy, que era mesmo ruim de briga. Ele foi ruim de briga por cerca de um ano. Depois muita coisa que você só vai saber assistindo acontece, e tudo culmina (atenção spoiler!) na fuga de Andy da prisão descrita assim por Red:

“Andy rastejou para liberdade por quinhentas jardas de merda tão fedida que nem posso imaginar. Ou talvez eu só não queira.”

Foi mesmo uma fuga espetacular. Mas o legal do filme é o tema de como os muros da prisão ficam mais na cabeça dos detentos do que ao redor deles. Como Brooks, que é liberado com seus 70 e tantos anos, a maior parte vividos em Shawshank, e não consegue se adaptar no mundo exterior, logo cometendo suicídio. Red tem medo que isso aconteça com ele, mas sente que o processo já começou. Andy é o único que mantém a integridade psicológica, ele é o único que nunca esteve preso ali, e foi capaz de executar um plano de fuga de quase vinte anos. Não seria nem uma fuga, ele só estava indo embora.

Outro personagem interessante é o Tommy, que vivia de pequenos delitos e roubos pouco habilidosos, entrando e saindo de prisões e reformatórios. Ele não conhecia outra vida, provavelmente nasceu com os muros da prisão na cabeça. Andy diz que ele é um ladrão muito incompetente e sugere uma mudança de carreira, se propondo a ajudá-lo a tirar um diploma supletivo. Numa conversa Tommy conta uma história que ouviu de um condenado em outra prisão que esteve, uma informação que poderia inocentar Andy. Então acontece uma tragédia… ah! Vá ver o filme do cara que rastejou por um rio de merda saiu limpo do outro lado.

Ouvindo uma musiquinha em Shawshank

E 500 jardas são 457,2 metros.

Crysis Warhead

Hoje devia ser um dia muito especial. Comprei Crysis Warhead. De verdade, na loja, de papel passado, diante de Deus! É a primeira vez que tenho um hardware decente pra jogar seriamente e não só ficar olhando nas revistas (é faz muito tempo, nem tinha internet quando eu já não podia jogar os melhores jogos).

Podia ter baixado o jogo como todo mundo faz, mas agora que a vida não está mais tão porcaria pensei ser interessante não mais agir de forma porcaria e pagar pelo jogo. (Esse pensamento foi um tanto marxista.)

Voltando ao raciocínio, isso era pra ser muito especial. Digitar serial é coisa que eu nem lembro pra que serve (só uso Windows pra jogos, o resto do tempo é “apt-get” ou “emerge”). Levou um longo tempo pra instalar a bagaça, fiquei pensando nos reviews que vi no YouTube, na diversão de jogar o primeiro Crysis por 7 horas seguidas no computador do dandrader. Cara, foi esse jogo que me fez comprar esse monstro de máquina cara com placa GeForce foda praticamente trazida do futuro pelo Conan! Depois de tudo pronto, o dedo coçando no mouse, essa porra de jogo me diz que as cinco instalações que eu tinha direito já foram feitas e por motivos de segurança o jogo não ia rodar. Segurança de quem CARALHO?!

O que fode tudo, tudinho mesmo, é que meu ódio poderia matar plantas, fazer vacas de duas cabeças nascerem e o Galvão Bueno pedir desculpas por todos esses anos sendo um idiota. Mas tuda essa energia não tem qualquer direção. Não é culpa da moça que me atendeu tão simpaticamente na Saraiva, não é culpa dos game designers, dos programadores, nem do hardware. Provavelmente é culpa de algum advogado de direitos autorais filho da puta que foi abusado quando criança por rottweilers num filme que só foi apreendido pelo FBI depois que todo mundo da escola dele assistiu. Um desses colegas de escola deve ter dividido quarto com ele na universidade de direito.

Bem pode ter sido outra pessoa. Não importa, ela é inatingível pra mim. Eu não posso ligar esporrando pra ninguém, tudo que posso fazer é baixar um crack no torrent com minha conexão sofrível e torcer pra que dê certo.

Claro que posso devolver na loja, pegar meu dinheiro de volta e minha reclamação débil subir a cadeia de consumo até algum lugar misterioso nos Himalayas. É como levar uma surra de olhos vendados. É tão broxante que não dá nem pra se masturbar como atividade compensatória.

Caras do DRM, vocês podem se achar o máximo mas vocês são todos filhos da puta e… pensando bem, eles não devem estar lendo isso aqui porque estão com as cabeças enfiadas em seus próprios cus. Então essa é pra você programador/game designer/etc aleatório que está lendo isso: NUNCA ponha ou deixe que outros coloquem DRM nos seus jogos. Toda vez que você faz isso um fã morre e seu árduo trabalho vira merda.

Update: consegui jogar o treco burlando o DRM e enfim jogar “as it meant to be played”, como diz o logo da NVidia. Baixe esse DLL[1] e coloque no diretório bin32 sobre um DLL de mesmo nome, lá onde o Crysis foi instalado. Ele vai quebrar o esquema de DRM e deixar você se divertir com seu jogo legalmente comprado com seu dinheiro honesto. Mesmo assim depois vou trocar o dvd lá na saraiva.

[1] http://rs498.rapidshare.com/files/146438698/tdm-cw.zip

Scrum Cards Open-Source Style

Conheci o Scrum aqui no INdT, e tendo sido adotado recentemente a maioria do pessoal ainda está aprendendo. Uma das técnicas do Scrum que chama atenção é a do planning poker, usada para estimar o esforço de uma estória (ou feature, mas estória dá uma idéia melhor). Nos explicaram que o esforço necessário para realizar a tarefa é para ser visualizado como tamanho, não como tempo. Mas era comum nos planejamentos sair frases como “quanto tempo vai levar?”, “acho que fazemos isso numa tarde”, e “não, não, nada de pensar em tempo”. Pra ajudar a me reeducar passei a imaginar que as tarefas eram grandes como elefantes ou pequenas como ratos. Daí pra ficar legal mesmo fiz um baralho de planejamento com imagens de bichos de tamanhos diferentes. Ao contrário dos chatos softwares proprietários quase todo projeto opensource ou de software livre tem um mascote simpático. Daí usei esse zoológico pra construir meu baralho.

verso das cartas

A pena é do projeto Apache, que certamente requer um esforço maior e vale mais que 1/2. É isso aí Coxa, estou falando com você. Ele disse “você tá louco?! O Apache 1/2!?”. A idéia é visualizar tamanho, e a pena é o mais leve da lista.
Verdade que nem todas as figuras são de projetos de código aberto. O clipe você deve conhecer e odiar de um softwarezinho proprietário aí. E esse clipe não vale nada, por isso é o zero. O outro personagem é a coruja retardada da interrogação. Essa coruja ficou famosa por causa deste poster motivacional:

Ela é incrível e somos todos grandes fãs aqui no INdT. Não há ninguém melhor pra ilustrar a carta “não faço a menor idéia do esforço disso”.

Agora alguns dados técnicos e a chatice legal. Fiz o baralho com o Inkscape e a fonte usada foi a Purisa (parte do pacote ttf-thai-tlwg no Debian/Ubuntu). A licença pro baralho é a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial.

As licenças de cada uma das imagens podem ser encontradas em seus respectivos sites. Duvido muito que você queira checar, mas vou colocar os links pros projetos (ou entradas na Wikipedia) assim mesmo.

Como a maioria dos posters motivacionais a coruja retardada é domínio público. Assim espero.

Não deu pra descobrir qual a licença do clipe idiota, mas se alguém reclamar deixo só os olhos dele e mando os membros pra sua família em Redmond.

qemu-arm-eabi updated, fakeroot bug fixed, post posted

As some of you already know Lauro Venâncio maintains a version of qemu with a set of patches that provides arm-eabi compatibility (which is needed if you want to build/use PyMaemo in Scratchbox). He does so because many of these patches where not yet accepted upstream and the world can not wait.

The version of qemu-arm-eabi in the sourceforge repository included the full source of qemu from its cvs with the patches already applied. Since the qemu source was a bit old (the current version uses svn) I spent some time updating Lauro’s qemu-arm-eabi. Now the sourceforge repository includes only the patches and a script to checkout qemu source from its own svn and apply the patches with quilt. There are also scripts to build and install the qemu-arm-eabi in scratchbox.

But nobody expects that a new bug would crawl in. When running a program through fakeroot and that program tries to call popen libfakeroot will not be found. I find out that the problem was in the fakeroot-tcp script that was using ‘,’ as separator in the environment variable SBOX_PRELOAD. This works with the qemu versions provided by scratchbox, but not with our patched version. I take a look at the scratchbox patches and other places for the source of the problem and found nothing. Since my time to deal with this was limited I just changed ‘,‘ to ‘:‘ in fakeroot-tcp. This worked fine when you do “fakeroot ./progthatusespopen” but Jesus couldn’t do a “dpkg-buildpackage -rfakeroot“. Caio (from Canola fame) solved this by removing the separator and the second item of the SBOX_PRELOAD variable.

The fix described is not the best but works for now. If you have any idea on how to solve this in a proper way your help is appreciated.

Instructions on how to install in the qemu-arm-eabi wiki.