import antigravity

Sonhei que estava numa nave espacial gigantesca. Não era uma nave dessas que a NASA USA (trocadilho infame), era uma construção feita numa única rocha negra. Por dentro parecia uma mansão enorme com janelas altas e a gravidade imitando a da Terra, e do lado de fora um tipo de jardim (sem plantas) com pouca gravidade, onde eu dei um salto pra chegar no alto de uma escadaria pequena. O chão girava num eixo, e o espaço e as estrelas em outro.
Havia uma presença predatória no interior da mansão, não um Alien de cinema, apenas algo inquietante.

E foi isso.

Engraçado como nos sonhos recebemos (pelo menos eu recebo) uma quantidade de informação não sensorial. É como encontrar alguém e saber da biografia da pessoa como se você tivesse tomado parte, ou encontrar um equipamento alienígena e operá-lo como se você o tivesse construído. Reforço que não é a sensação de um upload onde você é um observador externo do conhecimento, é mais como se mudassem seu passado mesmo, mas ainda assim você soubesse que acabou de aprender. Imagino se com mais decobertas sobre a mente e o cérebro, esse tipo de experiência cognitiva seria tornada possível, e se com isso a vida ia parecer tão fluida e faria tanto sentido quanto os sonhos.

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Sonhos de Hibernação

Carnaval é uma coisa fantástica… longe de mim. Minha cidade em particular vira um inferno de barulhos desconexos e bêbados perambulando como zumbis.

Mas ainda assim o Carnaval está sendo bom porque deu uma trégua na minha rotina de dormir cerca de 4 horas por noite. Ontem e anteontem dormi 12 e 13 horas. Não sabia que sono se acumulava e voltava pra te pegar. E ainda tem os sonhos.
Num deles tinha uma cerca viva bem alta e do outro lado um campo com colinas amareladas, provavelmente trigo, e um sol se ponto que fazia as coisas ainda mais amareladas. Tinha uma casa de madeira de primeiro andar e telhado pontudo no meio do campo, que parecia abandonada, e que as informações extras do sonho me diziam que era um lugar onde coisas aconteciam (seja lá o que isso significa, em termos de roteiro deve ser onde a trama da história se desenrola). Empoleirado (ou encaixado) no meio cerca viva havia um enorme pássaro preto, maior que uma pessoa, com bico de ornitorrinco, só que mais comprido, mais estreito perto da cabeça e mais redondo na extremidade. Ele parecia não ter olhos e tinha um violino com ele. O pássaro olhava sem olhos pra mim e os que estavam comigo e depois de um tempo saía voando com o violino.

O outro sonho foi mais simples.

Num deserto havia uma fila de muretas de madeira, e atrás de cada uma, pessoas se encostavam. Eu saía do meu lugar e ia até um ponto onde podia observar uma enorme tempestade se aproximando. Voltava correndo pra minha posição e seguia as instruções que chegavam naquele esquema de informação extra de sonho, que consistia em enterrar uma parte do corpo pra não ser carregado pelos ventos. Acordei quando estava chegando a informação de como respirar.

Algum José pra ajudar a entender isso?

Fui um Lobo Noite Passada

Sonhei ontem que tinha sido transformado num lobo, e era engraçado ter um focinho comprido e tantos pêlos pela cara. Havia algum tipo de rinha de bichos que acontecia em galerias de esgoto subterrâneas e eu tive de ir lá ficar num tipo de “jaula de espera”. Por algum motivo tinha de fazer isso por alguns amigos que também tinham virado bichos. Os carcereiros pareciam ser gabirus enormes e eram bem debochados, agiam como se eu fosse prisioneiro, como se eu não estivesse lá espontaneamente, mas quando chegaram perto da jaula agarrei um com os dentes (acho que ele usava uma camiseta) e mostrei um pouco de raiva (controlada). Havia uma loba comigo, e ela estava muito furiosa, latia bastante para os ratos. Uma visão assustadora, mas não me incomodava nem um pouco, tinha uma sensação que ela estava comigo, era algum sentimento de matilha.

Pouco depois estávamos fora, correndo pela cidade. Lembro de pular sobre um banco de praça, parar um instante e continuar correndo. Havia outros, mas eu não via. Acho que a loba era uma pessoa também, mas estava tão satisfeita como loba que pensei que ela esqueceria disso uma hora ou outra. Eu por outro lado lembrava que era humano, embora estivesse curtindo muito esse negócio de ser lobo.

Lobo
(Canis Lupus)

A sensação de estar num corpo muito diferente do seu é interessante.

“Ontem sonhei que tava em Moscou”… digo, em Berlin

Sonhei que tava (mas não era eu) na frente do que parecia ser um cinema com muitos posters de filmes antigos. Tinha alguns pilares bem altos, e do lado de fora muitas pessoas sentadas, só eu e um cara que desenrolava um arame farpado enorme estávamos de pé. Eu acompanhava os passos dele sem interferir e olhava pros posters dos filmes, então comecei a chorar, quieto por um tempo, mas quando a área coberta pelo arame ficou grande demais, comecei a gritar “Minha Berlin! Minha Berlin!” ou melhor, soava mais como “My Berlin!” ou teria sido “Mein Berlin!”
Foi um sonho muito estranho. Acordei um pouco triste e… muito estranho isso. O muro de Berlin não era algo que me preocupasse tanto, já que caiu quando eu tinha 9 anos. Deve ter sido alguma linha cruzada psíquica.

Espero que o próximo post seja mais técnico… 😛

Muro de Berlin, 20 de novembro de 1961
Graffiti no Muro de Berlin

Wikipedia: Berlin Wall