PySide

Agora sim, chega de trabalhar na moitinha igual contra-regra, o negócio agora é público: PySide foi lançado!

PySide - Python for Qt

Sim! E o que é PySide, você pergunta? São bindings da biblioteca Qt4 para linguagem Python criados pelo INdT e a Nokia (Moi, tamperelaiset!) sob licença LGPL. Minha equipe (não sou dono dela, minha no sentido de “nossa sem incluir o interlocutor”) trabalhou feito louca e o lançamento foi uma beleza: tivemos um retorno positivo da comunidade e as notícias estão aparecendo em toda parte.

E fornecemos não apenas o peixe mas também a vara (na boa): o gerador de bindings também está disponível. Mas qual a importância disso? Dada a notícia vou explicar com calma.

Antes de continuar repare na garrafinha de Prince of Persia no logo do PySide. É a marca usada em projetos do Qt Labs Americas.

Os Bindings

O motivo primário da criação do PySide foi prover bindings Python da Qt4 sob a licença LGPL, para se alinhar com a oferta da Nokia da própria Qt4. Várias possibilidades de como fazer foram analisadas, e antes dessa frase começar uma discussão técnica infinita, todas as opções tinham pontos bons e ruins, mas não tão diferentes assim. A idéia do Smoke foi uma das que mais gostamos e vale uma menção. No fim optamos por alterar um gerador de bindings existente (mais sobre isso abaixo) e usar o Boost.Python para fazer meio-campo com a API CPython. Trocando em diagramas coloridos esse é o PySide:

PySide architecture with Boost.Python

O Gerador

Escrever bindings pra uma biblioteca tão massivamente grande quanto Qt é uma tarefa… não, não é uma tarefa, é uma punição. Pessoas de bom senso que somos demos uma pesquisada por aí e optamos por adaptar o código do QtScript Generator, que por sua vez é um fork do Qt Jambi Generator, e ambos são geradores de bindings QtScript e Java, respectivamente, desenvolvidos pela Trolltech (quando ela se chamava Trolltech).

O esquema de geração de bindings funciona assim:

Binding Generator Scheme

O arquivo global.h inclui todos os headers (pelo menos os desejados) da biblioteca sendo processada, e também define e desdefine flags do preprocessador. Arquivos typesystem.xml são descrições de como a biblioteca deve ser exportada para a linguagem alvo: classes rejeitadas, métodos renomeados, tipos convertidos e, muito importante, códigos escritos à mão para casos especiais e onde eles devem ser inseridos. Se não houver necessidade de alterações esse xml será apenas uma simples lista de classes, enums e funções.

Notem que não apenas forkamos o QtScript Generator, mas a convertemos de uma aplicação monolítica num esquema lib (que chamamos de API Extractor) + front-end gerador. E mais uma figura pra explicar a idéia:

BoostPythonGenerator Teoricamente os projetos dos quais derivamos código poderiam ser alterados para usar o API Extractor e compartilhar essa base de código (e bugs, e fixes, e melhorias). Além disso, o sujeito pode escrever front-ends que gerem outras coisas que não código: grafos de relacionamento entre as classes, estatísticas, algo-que-eu-não-pensei.

Agora a parte não tão bela. Num mundo perfeito o gerador de bindings C++ para Python geraria bindings de qualquer biblioteca C++ para Python, contudo da forma que se encontra agora o gerador serve apenas para bibliotecas baseadas em Qt. Grande vergonha! Considerando que o foco era criar o bindings Qt e os lançamos em versão beta, sugiro nos perdoar. 🙂 Claro que está nos planos resolver isso e tornar o gerador uma ferramente genérica e útil para mais pessoas.

Informação demais! Por hora, baixem, testem, relatem bugs e aproveitem. E se estiverem se sentindo sociais entrem no canal #pyside no FreeNode e assinem a lista de discussão.

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