O Lance da Zebra

Zebra tridimensional representada numa superf�cie

Numa das tardes do treinamento de Scrum meu subconsciente processava umas paradas da conversa sobre metafísica que tive com o dandrader pela manhã. Daí essa frase se formou e foi parar num postit:

“The bidimensional creature can only see a slice of the tridimensional zebra.”

O Alisson catou o papel e levou a frase pra uma discussão na hora do intervalo na beira da piscina. Minha intenção não era essa, mas pelo que os caras discutiram até agora a dita frase vertida para o português brasileiro de Recife ficaria assim:

“Aí gata, vamo lá em casa pra eu te mostrar minha coleção do Carl Sagan.”

Ainda nesse espírito, o Thiago ensinou uma outra frase que, segundo ele, pode bloquear as sinapses do cérebro feminino por alguns segundos, tempo suficiente pra o sujeito trabalhar no sentido de agir. Eis a frase:

“Você já ouviu Harvest of Sorrow do Metallica?”

Ele falou que é infalível. E sobre a zebra, deixo pra elaborar a causa num outro dia que passar a tarde comendo grãos de café.

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Máquinas de Turing São Dispositivos de Manipulação Simbólica

Foi uma surpresa quando descobri isso. Vinha estudando autômatos determinísticos, não-determinísticos e de pilha, que são capazes de reconhecer linguagens. Estava só esperando a hora de chegar na Máquina de Turing e descobrir se ela fazia algo mais próximo da lógica, como usar portas AND, OR, etc, mas nada disso, ela continuava sendo uma manipuladora de linguagens. Foi daí que começou a viagem…

A Máquina de Turing

Foi uma grande sacada de Alan Turing descrever computação através de uma máquina hipótetica, relativamente simples e com um funcionamento bem fácil de entender.

Primeiro sua estrutura “física”. Temos uma cabeça de leitura e escrita, onde está armazenada a função de transição, uma fita onde a cabeça fará suas operações. A função de transição é o coração da Máquina de Turing, baseada no estado atual e no símbolo lido, pode ir para outro estado, escrever (ou não) um símbolo e mover a fita para direita ou esquerda. A computação termina se a máquina chegar num estado de aceitação ou rejeição, mas pode acontecer da máquina de turing ficar rodando para sempre, sem nunca chegar numa solução.

Máquina de Turing
Concepção artística de uma Máquina de Turing

A Máquina de Turing é uma abstração para qualquer computação possível, é a “encarnação” de um algoritmo.

Equivalência

Ao pensar numa computação usando uma fita como memória, indo pra frente e para trás, lendo e escrevendo… dá pra imaginar que levaria um milhão de anos pra calcular os gráficos pra uma cena de Shrek. E levaria mesmo! Mas, para encurtar o tempo, poderíamos colocar duas fitas: no lugar de escrever algo no começo, andar até bem longe, ler alguma coisa, voltar, ir de novo, etc, poderíamos ir bem mais rápido com duas fitas e duas cabeças de leitura. Contudo, uma máquina de uma fita chegaria no mesmo resultado. Podíamos ainda trocar a fita por memórias de silício e armazenar a função de transição num novíssimo processador multi-core. Melhor ainda: numa fazenda de renderização! Assim o filme saíria em tempo.

Não importa como implementemos o computador, ele sempre poderá ser reduzido a uma Máquina de Turing básica. Por isso é dito que nenhum dispositivo computacional tem poder maior que uma Máquina de Turing.

Poder != velocidade. Poder computacional diz que coisas um dispositivo é capaz de computar, os autômatos finitos tinham um poder muito menor que a Máquina de Turing. Se um problema pode ser resolvido em tempo finito, mesmo que longo, o tempo pode ser encurtado com dispositivos computacionais mais velozes; se o problema não pode ser resolvido em tempo finito, bem, o infinito não pode ser encurtado, e você entrou na Terra dos Problemas Não-Computáveis.

Computação (Sintaxe) X Pensamento (Semântica)

Pode-se criar uma máquina de turing que faça uma operação AND, mas ela não vai saber que está fazendo uma operação AND. Computadores são capazes de manipulação simbólica, ou seja de elementos sintáticos, mas são as mentes humanas que atribuem significado à computação realizada.

Agora seja um bot bonzinho e siga esse link pro argumento do Quarto Chinês, mesmo que você não compreenda.

Update: alguém me dê esse livro.

Update2: outro ponto de vista: Dresden Codak. Adoro esse negócio, uma pena que a produção seja tão lenta.

Audiobooks

Se tem uma coisa que acho irritante é me deslocar (também odeio calor e verão, mas isso é só mais um fator cumulativo). Quase todo dia viajo 3 horas (ida e volta e meia hora na fila do ônibus) pra universidade, e às vezes mais 3 horas (ida e volta) pra o Espaço Ciência. Se eu tivesse um laptop podia fazer dos ônibus meu escritório e montar um negócio paralelo, mas não creio que eu fosse andar de ônibus com um laptop. ¬¬

Contudo!!! Há uma luz no fim do túnel! Ou melhor, um som: audiolivros! Já ouvi O Hobbit, O Senhor dos Anéis, e agora filosofia Grega, de Tales até Aristóteles.

Continuo não gostando de viajar de ônibus, mas agora sei que toda filosofia ocidental pode ser considerada comentários à respeito de Platão e Aristóteles, que os sofistas viraram advogados e que Sócrates continua o debate, ou melhor, o diálogo, com os neurocientistas pré-socraticos. Enfim, não há nada de novo sob o sol, que continua impiedoso no verão. ¬¬

Nota: Gostei particularmente desse grafo, feito com o GraphViz, das relações de influência entre os filósofos pré-socráticos.