Matadouro 5

Billy Pilgrim ocasionalmente lembra do futuro. Na verdade ele revive o futuro, e o passado também. Ele levanta da cama do motel onde está curtindo sua Lua de Mel e ao passar pela porta do banheiro sua continuidade temporal o leva para um campo de prisioneiros na Segunda Guerra Mundial, um terrível balde de água fria, na minha opinião. Quando volta do banheiro sua esposa diz “senti sua falta”, mas Billy Pilgrim replica “EU senti sua falta”.

O auge da coisa foi quando os Trafalmadorianos o levaram em sua nave espacial para sevir de atração no zoológico de seu planeta natal, onde ficou exposto junto com a atriz pornô Montana Wildhack (é seu safado, eles fazem sexo). No momento da captura Billy Pilgrim pergunta “por que eu?”, e a resposta “Por que você? Por que nós? Porque sim. Já viu um inseto preso no âmbar? É exatamente assim que vemos esse momento, não poderia ser de outra forma.” Os Trafalmadorianos vivem em quatro dimensões, e enxergam o tempo em extensão, como enxergamos distâncias, e como nós podemos ir e voltar por uma estrada, eles podem fazer o mesmo no tempo. E assim também pode Billy Pilgrim, exceto que ele não consegue escolher quando acontece nem pra quando vai, e ele não pode mudar nada, apenas reviver (ou pré-viver).

Essa é uma pequena parte (que lembro, demorei a escrever isso) do livro Matadouro 5, de Kurt Vonnegut, que trata da vida de Billy Pilgrim, suas viagens pelo próprio tempo, especialmente sua participação na Segunda Guerra Mundial, que aliás não teve nada de heróica, parece mais que ele foi tropeçando pela Europa até chegar em Dresden e testemunhar sua destruição pelas bombas incendiárias dos aliados. Este bombardeio causou o dobro de mortes que a bomba de Hiroshima, e acabou com uma linda cidade (antes/depois), além de cozinhar vivos quase todos os habitantes.

O tom do livro é fatalista, como se pode perceber pela fala dos Trafalmadorianos, e mais do que uma crítica à guerra (como eu esperava) é uma reflexão sobre a condição humana. Sobre se podemos mesmo ser de outro jeito ou o que deve mudar é a forma de encarar os acontecimentos.

A forma de narrativa é fragmentada, pequenos pedaços de história, na maioria das vezes sem a conexão cronológica que se esperaria, mas que eu achei extremamente agradável. Acredito que li Matadouro 5 numas seis viagens de ônibus.

E como resenhista amador me dou o direito de ir embora sem mais nem menos. Até logo e leia esse livro.😉

2 pensamentos sobre “Matadouro 5

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