Viva Las Vegas!

Quando o sujeito fica velho pensar no passado consome boa parte do tempo que ainda resta. Nesse meu último aniversário comecei a lembrar da época que era milionário, explorava minha e apostava tudo no vermelho 36. Eu devia ter uns 11 anos.

Las Vegas

Quando era pirralho alguém da minha rua (e “minha rua” aqui significa todas as ruas ao redor até as bordas do cemitério, que às vezes era incluído no território) teve a genialíssima idéia de inventar o dinheiro! Da mesma forma que alguém decidiu que um metal amarelo brilhante aparentemente inútil (eles não tinham processadores naquela época) valia mais que muitas vidas humanas, nós crianças decidimos que carteiras vazias de cigarro valiam algo. Lembro mais ou menos da escala: Hollywood valia 5 (tinha um cigarro bem ruinzinho que valia 1), Carlton valia 10, Camel e Marlboro eram 50, e um outro lá que todos chamavam de “capa preta” valia 100 (uma nota preta!). Quanto mais bling mais valor.

A senhora minha mãe é fumante antiga, acho até que tragava líquido aminiótico pelo cordão umbilical (por falar nisso, ela jura que não fumou na gravidez, mas não consigo acreditar nela porque isso explicaria muita coisa), e eu como mau filho que era estimulava seu vício pra pegar as carteiras vazias. O problema é que ela só fumava Hollywood o que me garantia uma renda muito baixa. Os moleques Bicho Solto eram mais empreendedores, andavam pelos bares e pelas ruas mais agitadas e faziam verdadeiras fortunas. Eu tinha de me contentar em andar olhando as sarjetas e ir pra casa às 9. Eu era classe média. Sim, a parte sobre ser milionário foi uma mentira pra prender sua atenção.

Mesmo todo esse dinheiro de carteiras de cigarro não podia comprar o mais reles chiclete, além de nossas necessitades básicas serem plenamente atendidas pelos pais. Então, o que nos restava fazer com o dinheiro? Ver quem era o mais rico é uma das primeiras coisas pra fazer num grupo de pessoas com dinheiro em excesso. Não tínhamos um top 100 da Forbes, mas Moacir era sem sombra de dúvida nicotinicamente podre de rico, tinha até carteira de cigarro importado. Todos se admiravam. Ele era o cara mais de rua que podia existir, e também era muito doido, do tipo Forrest Gump (me lembro agora da história de como ele ficou comovido quando meu primo o levou no puteiro — mas isso aqui não é mil e uma noites, então vamos voltar à história). E claro que foi Moacir, bilionário entrepreneur, que nos levou pro próximo nível das pessoas com dinheiro e sem ter com que gastar: o jogo!

Roleta

Moacir passou a andar com uma caixa, que desdobrada bem embaixo da luz de um dos poucos postes da grande ladeira no fim da rua, se tornava um cassino completo. Não exatamente completo, não tínhamos cartas, mas os dados e a roleta estavam lá pra quem quisesse apostar. “Derby?! Pode ir tirando esses couros-de-rato daqui que a aposta é alta: Carlton pra cima!”, “Porra, Moacir, aceita aí meus Hollywoods que ainda tá valendo.”, “Tá, tá, tá, então aposta logo essa miséria!” Cara, perdi tantos Hollywoods, mas foi melhor assim, em troca aprendi uma importante lição vendo Moacir enriquecer e todos os outros ficando pobres: no fim a casa leva.

Só tem um nível que nós ricaços das carteiras de cigarro não alcançamos: as putas. Nunca apareceu uma menina pra dançar no meio-fio do lado do cassino me permitindo colocar minhas carteiras vazias de Hollywood (provavelmente eu economizaria botando umas de Derby) na sua enorme calcinha de algodão.

Bible pr0n

Escrevo isso pra todos aqueles, incluindo a mim (fala, Amin!), que têm tanto receio de serem vistos lendo uma bíblia quanto de serem pegos pela mãe com uma Playboy da Cláudia Ohana na mão esquerda, fato vergonhoso pela mãe, pela outra mão, e ainda pelo gosto bizarro. (Fosse você um adolescente da família Van Helsing poderia alegar estudo privado de licantropia pubiana, mas isso ainda não explicaria a estaca na outra mão, que todos Van Helsing sabem se tratar de arma contra vampiros, não com lobis… seja lá o que for que está escondido embaixo daqueles pêlos.)

Imagino que o parêntese do último parágrafo cobre todo pr0n desse texto.

A repulsa pela a bíblia por parte das pessoas racionais e outros bichos parecidos provavelmente é gerada por causa do que ela e as pessoas que vendem esse peixe representam do que pelo conteúdo. Não vai faltar quem diga quantas mortes, guerras e manhãs de domingo entediantes aconteceram por causa de religião e tudo que lhe é relacionado. Também sobre a irracionalidade que causa nas pessoas e por aí vai. Por compartilhar vagamente dessas opiniões por muito tempo (e por ser importunado pra participar de grupos de estudo bíblicos de quanto em vez) algum mecanismo automático na minha cabeça colocava uma etiqueta de “anti- ou semi-racional” em qualquer pessoa segurando um livro preto de letras douradas e lateral das folhas vermelhas.

Moeda Romana

Moeda Romana com Otávio Augusto

Então eu esqueço esses problemas e vou ler qualquer outra coisa “de nível”, o que é esperado de uma pessoa racional. Vou de “A Desobediência Civil” de Henry Thoreau. “Sob um governo que prende qualquer homem injustamente, o único lugar digno para um homem justo é também a prisão.” É assim que se fala, Thoreau! (Embora eu mesmo não queira ir pra cadeia, e talvez você não tivesse ouvido falar de algo como Carandiru.) Texto vai, texto vem, chega na parte sobre governo, impostos e ele me vem com essa citação:

Cristo respondeu aos seguidores de Herodes de acordo com a situação deles. “Mostrem-me o dinheiro dos tributos”, disse ele; e um deles tirou do bolso uma moeda. Disse então Jesus Cristo: “Se vocês usam o dinheiro com a imagem de César, dinheiro que ele colocou em circulação e ao qual ele deu valor, ou seja, se vocês são homens do Estado e estão felizes de se aproveitar das vantagens do governo de César, então paguem-no por isso quando ele o exigir. Por­tanto, dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”; Cristo não lhes disse nada sobre como distinguir um do outro; eles não queriam saber isso.
A Desobediência Civil

Muito esperto Jesus, recebeu a bola e devolveu com efeito.

A Roda da Fortuna

A Roda da Fortuna

Depois fui pra George Orwell. Tem um ensaio chamado “Politics and the English Language”, onde ele discute como o pensamento de uma sociedade decadente corrompe a língua e como a língua corrompida aumenta ainda mais a decadência. Essa corrupção aparece na forma de textos vagos, usando uma colagem de frases prontas que esconde o que o autor quer dizer (às vezes dele mesmo) e ainda dão umas duas mãos de tinta de respeitabilidade em cima de baboseiras que se ditas claramente seriam rejeitadas no mesmo instante. Num dado momento Orwell mostra um texto claro, com imagens fortes e que passa a idéia básica do autor muito bem:

I returned, and saw under the sun, that the race is not to the swift, nor the battle to the strong, neither yet bread to the wise, nor yet riches to men of understanding, nor yet favor to men of skill; but time and chance to them all.

Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos. (Tradução de alguém na internet.)

E para demostrar seu ponto de vista reescreve o trecho no que ele chama de “inglês moderno”:

Objective consideration of contemporary phenomena compels the conclusion that success or failure in competitive activities exhibits no tendency to be commensurate with innate capacity, but that a considerable element of the unpredictable must invariably be taken into account.

Consideração objetiva de fenômenos contemporâneos compele a conclusão de que sucesso ou fracasso em atividades competitivas não exibe qualquer tendência a ser passível de redução à capacidades inatas, mas que a considerável influência do elemento da imprevisíbilidade deve ser levada em consideração. (Minha tradução.)

Essa comparação ilustra bem a idéia do ensaio, e o primeiro texto achei excelente (em português e inglês), quem o escreveu deve ter vivido o que dizia, e qualquer um lendo já deve ter passado algo assim. Quero dizer, é o tipo de preocupação com a qual todos podem se identificar. Recomendo duplamente o ensaio. E também o restante do texto-exemplo.

Holy Pr0n!

Holy Pr0n!

Outra coisa que acho legal é literatura inglesa, embora não tenha tempo e memória pra ficar esnobando nos círculos sociais por aí :P. Teve uma época que trabalhei numa biblioteca de faculdade e um livro encontrado por acaso (todos eram) e devorado (e os detalhes esquecidos. sabe, memória e tals, dammit!) chamava-se “A Literatura Inglesa” de Anthony Burgess (o cara de Laranja Mecânica (o autor, não o personagem)). O livro foi escrito como um mastigadão (no bom sentido) de literatura inglesa pra ajudar alunos do Burgess em algum lugar pela Malásia. A prova final de inglês incluía o conhecimento de obras literárias um tanto alienígenas pros caras de lá e o livro adicionava um pouco de contexto histórico. Pra um livro escolar achei esse um dos mais agradáveis de ler (não contando os trechos legais em livros de “Comunicação e Expressão”, mas esses acabavam logo e não tinha livraria na minha cidade pra comprar a versão integral) e demoliu uns muros velhos da minha antiga aversão à literatura.

Burgess começa falando das origens da língua, saxões, normandos e tudo mais, até que chega num capítulo sem número entre o 5 e o 6 com o seguinte título: “Interlúdio – A Bíblia inglesa”. E o primeiro parágrafo é o seguinte:

Vamos examinar muito sumariamente um livro cuja influência sobre a escrita, a fala e o pensamento inglês foi, e ainda é, imansa. A Bíblia não é basicamente literatura – é o livro sagrado do cristianismo -, mas recentemente vem se afirmando uma tendência crescente para apreciar a Bíblia por suas qualidades artísticas, para vê-la não só como a “Palavra de Deus”, mas como uma obra de grandes escritores. Sejam quais forem nossas crenças religiosas, se desejarmos ter uma apreciação integral do desenvolvimento da literatura inglesa, não podemos nos arriscar a negligenciar a Bíblia: seu impacto puramente literário nos escritores ingleses é talvez grande demais para ser medido.

A tradução da Bíblia (agora que tenho sua atenção posso usar o ‘B’ maiúsculo sem parecer um carola) para o inglês foi encomendada pelo Rei James I. A tarefa foi realizada (com muito cuidado) por 47 eruditos de 1604 até 1611 (foi muito cuidado mesmo). No final entregaram um texto tão bom que segura audiências até os dias de hoje. Segundo Burguess: “Não há escritopr que não tenha sido influenciado por ela – até mesmo escritores como Bernard Shaw e H. G. Wells, apesar de não serem cristãos, acabaram sucumbindo à sua força.”

Outro dia comprei uma King Jame’s Bible, logo de cara gostei dessa parte (Genesis 1:2):

The earth was formless and void, and darkness was over the surface of the deep, and the Spirit of God was moving over the surface of the waters.

(E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.)

Não sei se é tietagem minha com a língua inglesa ou se a versão em português me lembra ser acordado à força no domingo pra continuar dormindo numa posição desconfortável na igreja, mas gosto mais da versão Jamesiana do que a tradução nos parênteses. As palavras em “formless and void” e “darkness was over the surface of the deep” soam tão bem. E “the Spirit of God was moving over the surface of the waters” gera uma imagem mental do “Espírito de Deus” sendo uma Jamanta (não o caminhão, ou aquele louco de uma novela esquecida – o que nos leva a outra tietagem: “Jamanta” simplesmente não soa tão bem quanto “Manta Ray”).

"Then God said, 'Let there be light'; and there was light."

"Then God said, 'Let there be light'; and there was light."

Saindo da literatura e me interessando por eventos recentes. Todos (que pensam) já se perguntaram quanto do terrorismo fundamentalista islâmico é coisa de fundamentalistas, se o islamismo é mesmo violento em seu núcleo, ou se é inerente de qualquer religião, já que elas causam mortes guerras e constrangimento, como quando você é flagrado por seus amigos racionais lendo a Bíblia.

Esse assunto em particular é bem espinhento. Se você se der ao trabalho de procurar vai ter seu saco ou ovários enchidos até o limite com opiniões que vão de um extremo politicamente correto onde tudo é bom, todos são bons, ninguém pode ser ofendido e que mulheres de burka trancadas em casa são felizes do jeito delas, até o outro extremo (lá pelo lado direito) com pessoas que tudo que precisam é uma desculpa pra expulsar/matar/desintegrar os “alienígenas indesejáveis” do seu país.

Oriana Fallaci

Oriana Fallaci (foto "emprestada" de El País)

Persistindo dá pra encontrar umas pessoas interessantes, como Ayaan Hirsi Ali, aquela moça da Somália que escapou da família pra Europa e chegou a parlamentar nos Países Baixos. Ou a menos famosa (pelo menos pra mim) Oriana Fallaci, que aos 10 anos participou da Resistência Italiana, aos 16 era repórter, foi ao Vietnam como correspondente 12 vezes, e por aí vai. Meu episódio preferido é o da entrevista com o aiatolá Khomeini em 1979:

“Como é possível nadar com um chador [traje feminino que cobre todo o corpo, deixando apenas os olhos de fora]?”. A resposta do líder, Oriana escreveu depois no New York Times, foi que ela não era obrigada a usar um, já que se tratava de uma peça de roupa para mulheres islâmicas respeitáveis. A jornalista, então, rasgou seu chador na frente de Khomeini.
Morre a polêmica jornalista e escritora italiana

Mas o que interessa nesse texto é como ela se define como Ateísta Cristã no livro A Força da Razão. Dizem que o livro em si é tão polêmico que devia vir com um martelo e uma caixa de vidro escrita “Quebre em Caso de Emergência”, mas voltemos à afirmação:

Sou uma Cristã porque gosto do discurso que está nas raízes do Cristianismo. Porque ele me convence. Ele me seduz… Quero dizer, o discurso concebido por Jesus de Nazaré… que… se concentra no Homem. Que adimitindo o livre-arbítrio, clama pela consciência do Homem, nos faz responsáveis por nossas ações. Mestres de nosso destino. Eu vejo um hino à Razão, uma renovação do pensamento claro… escolha… a redescoberta da liberdade. A redenção da liberdade… uma idéia que ninguém jamais teve… A idéia de um Deus que se tornou Homem… Que falando de um Criador… se apresenta como seu Filho e explica que todos os homens são irmãos de seu Filho… capaz de exercer sua própria essência divina… pregando a Bondade que é o fruto da Razão, da Liberdade, espalhando o Amor… Jesus… como um homem… aborda o tema do secularismo… ele impede os covardes que estão para apedrejar a adúltera… ele ataca a escravidão… ele luta… ele morre. Sem morrer pois a Vida não morre. A Vida sempre ressucita, Vida é eterna. E, junto com o discurso sobre a Razão, sobre a Liberdade, este é o ponto que mais me convence… a negação da Morte, a apoteose da Vida… sua alternativa é a Não-Existência. E vamos encarar: tal é o princípio que guia e alimenta nossa civilização.

Essa tradução é do único trecho que pude encontrar na internet (sem recorrer a torrents de PDFs) onde Oriana Fallaci elabora essa idéia de Ateísmo Cristão dela. Veio de um artigo de uma revista conservadora norte-americana. Os conservadores provavelmente vão pegar a finada como Joana D’Arc involuntária deles ou sei lá, mas esse é ainda outro problema, que de fato não é meu.

O meu problema é que já escrevi bastante. Preciso pensar como finalizar isso tudo e botar umas figuras legais pra disfarçar a compridez do texto. Opa! Falei isso em voz alta?!

A conclusão não sagaz é o bom e velho “não julgue o livro pela capa” que o He-Man diria num final de episódio. Pensando mais um pouco dá pra perceber (eu pelo menos) que tomamos muita coisa como garantida, como esperar um comportamento decente por parte dos assim chamados Outros (citação obrigatória do Luck (não Luke): “Não se preocupe com os outros, tem muitos mais de onde esses vieram.”), ou que a civilização (no sentido de educação e respeito, não no sentido de eletrônicos chineses feitos por trabalhadores sem assistência social) brotou de grátis do nada como o mundo que o Grande Deus Jamanta tirou do vácuo. Bom, tem uma meia dúzia de idéias que fazem sua vida não tão ruim quanto a da galera num filme de Mad Max que, dentre outros lugares, veio da Bíblia. Por exemplo: “E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também.”, Lucas 6:31; ou “And as ye would that men should do to you, do ye also to them likewise.”, Luke 6:31. Então se me encontrarem lendo uma Bíblia por aí lembre de tratar os outros como gostaria de ser tratado e não me encha o saco. Aliás, sinta-se livre pra tratar os outros direito (estou levando em consideração que você não é masoquista), quer saber, pra ficar mais fácil ainda: deixe-os em paz. Do que estamos agora pra isso já seria uma grande melhora.

Crysis Warhead

Hoje devia ser um dia muito especial. Comprei Crysis Warhead. De verdade, na loja, de papel passado, diante de Deus! É a primeira vez que tenho um hardware decente pra jogar seriamente e não só ficar olhando nas revistas (é faz muito tempo, nem tinha internet quando eu já não podia jogar os melhores jogos).

Podia ter baixado o jogo como todo mundo faz, mas agora que a vida não está mais tão porcaria pensei ser interessante não mais agir de forma porcaria e pagar pelo jogo. (Esse pensamento foi um tanto marxista.)

Voltando ao raciocínio, isso era pra ser muito especial. Digitar serial é coisa que eu nem lembro pra que serve (só uso Windows pra jogos, o resto do tempo é “apt-get” ou “emerge”). Levou um longo tempo pra instalar a bagaça, fiquei pensando nos reviews que vi no YouTube, na diversão de jogar o primeiro Crysis por 7 horas seguidas no computador do dandrader. Cara, foi esse jogo que me fez comprar esse monstro de máquina cara com placa GeForce foda praticamente trazida do futuro pelo Conan! Depois de tudo pronto, o dedo coçando no mouse, essa porra de jogo me diz que as cinco instalações que eu tinha direito já foram feitas e por motivos de segurança o jogo não ia rodar. Segurança de quem CARALHO?!

O que fode tudo, tudinho mesmo, é que meu ódio poderia matar plantas, fazer vacas de duas cabeças nascerem e o Galvão Bueno pedir desculpas por todos esses anos sendo um idiota. Mas tuda essa energia não tem qualquer direção. Não é culpa da moça que me atendeu tão simpaticamente na Saraiva, não é culpa dos game designers, dos programadores, nem do hardware. Provavelmente é culpa de algum advogado de direitos autorais filho da puta que foi abusado quando criança por rottweilers num filme que só foi apreendido pelo FBI depois que todo mundo da escola dele assistiu. Um desses colegas de escola deve ter dividido quarto com ele na universidade de direito.

Bem pode ter sido outra pessoa. Não importa, ela é inatingível pra mim. Eu não posso ligar esporrando pra ninguém, tudo que posso fazer é baixar um crack no torrent com minha conexão sofrível e torcer pra que dê certo.

Claro que posso devolver na loja, pegar meu dinheiro de volta e minha reclamação débil subir a cadeia de consumo até algum lugar misterioso nos Himalayas. É como levar uma surra de olhos vendados. É tão broxante que não dá nem pra se masturbar como atividade compensatória.

Caras do DRM, vocês podem se achar o máximo mas vocês são todos filhos da puta e… pensando bem, eles não devem estar lendo isso aqui porque estão com as cabeças enfiadas em seus próprios cus. Então essa é pra você programador/game designer/etc aleatório que está lendo isso: NUNCA ponha ou deixe que outros coloquem DRM nos seus jogos. Toda vez que você faz isso um fã morre e seu árduo trabalho vira merda.

Update: consegui jogar o treco burlando o DRM e enfim jogar “as it meant to be played”, como diz o logo da NVidia. Baixe esse DLL[1] e coloque no diretório bin32 sobre um DLL de mesmo nome, lá onde o Crysis foi instalado. Ele vai quebrar o esquema de DRM e deixar você se divertir com seu jogo legalmente comprado com seu dinheiro honesto. Mesmo assim depois vou trocar o dvd lá na saraiva.

[1] http://rs498.rapidshare.com/files/146438698/tdm-cw.zip

It’s Evolution, Baby!

Durante a tradicional apresentação inicial sobre Open Source e Software Livre que o CInLUG faz pros calouros das computações, alguém me perguntou: “mas esses softwares (livres) nunca estão prontos, eles devem ter muitos defeitos, não é?”. A resposta era fácil e estava na ponta da língua antes dele terminar de falar, mesmo assim me permiti pensar algumas coisas por uma fração de segundo tão longa que a sala parecia uma imagem em pausa. “Rapaz, a VIDA é cheia de defeitos!”, eu disse enquanto fazia uma macaquice de alguém tendo algum tipo de epilepsia/tique-nervoso. Imagino que foi uma piada bem contada, porque todos riram muito, e porque eu não ri junto, o que acabaria estragando a seriedade da anedota. E era uma piada muito séria.

Que todo mundo é diferente você já sabia (espero), mas já se perguntou o quão diferente?

Os lingüistas dizem, ou pelo menos o Anthony Burguess diz no excelente livro A Literatura Inglesa, mas ele não é lingüista. Onde estava? Ah, alguém disse, talvez não exatamente isso, mas algo parecido… Retomando – um idioma é criado quando o dialeto, de um grupo de dialetos semelhantes, usado pelo grupo mais poderoso, é eleito como o idioma oficial pela força político-militar desse mesmo grupo. Em outras palavras, o que chamamos de idioma de uma nação é uma colcha de retalhos de dialetos.

Com as pessoas, ou melhor com os genes delas, é a mesma coisa: humanidade é um conceito baseado num número de semelhanças maior que o número de diferenças, é a “normalidade estatística”. (Normalidade é uma questão numérica, por isso ninguém é cego nas profundezas abissais.) No geral somos (nós humanos) muito parecidos por fora, apesar de uma ou outra diferença.

Polidactilia

Essas alterações acontecem por conta de erros de cópia dos genes, por causa de radiação cósmica, e, claro, por culpa dos videogames e desenhos de pokémons.

As mutações físicas sempre chamam atenção, muitas delas tornam o indivíduo inapto pra sobreviver. A natureza é uma mãe psicótica sempre tentando matar seus filhos, ou pelo menos os que dão mais trabalho. Como de costume, é pro seu próprio bem.

Mutação e Seleção

O básico de evolução é: mutações aleatórias geram diversidade, seleção natural diminui a diversidade.

Observe que todos os gigantes de duas cabeças, cíclopes, centauros e fadas estão representados pelas bolinhas com “X” vermelho.

E mesmo o que encontramos por aí está longe de ser perfeito. Dê uma olhada nesse vídeo apresentando um “robô gafanhoto”, dê uma olhada como o gafanhoto orgânico quase cai de costas durante um pulo. Um design porcaria (o robôzinho logo deve estar fazendo melhor), mas que funciona bem o bastante.

Está Tudo na Sua Cabeça

Com o desenvolvimento da nossa venerável linhagem humana com seus corpos cada vez mais pelados e unhas de maricas, mutações mais interessantes começaram a acontecer onde não podiam ser vistas – no cérebro. Mas os efeitos das mutações podiam ser sentidos: você não precisa ter garras de tigre, ou ser grande como um tiranossauro (o que é bem caro de se manter), basta ser esperto. Fácil? Nem a pau! Com grandes cérebros vêm grandes dores de cabeça.

Algumas mutações no cérebro devem ter gerado todo tipo de doido, pior ainda se desapercebidamente ele se torna o líder do grupo. “Vamos todos nos matar pra subir na nave escondida atrás do cometa!” Parabéns! Felizmente a maioria dos doidos acabou se matando antes (Darwin Awards!) e levando sua linhagem condenada pro esquecimento genético.

Ou não?

Havia uma matéria na NewScientist (a assinatura foi uma grande idéia INdT!) de um mês que não lembro (desculpem por essa), que perguntava: se a seleção natural diminui a variedade, não deveríamos todos ser mais parecidos em comportamento e ter o mesmo temperamento? (É, esse seu gênio ruim é hereditário!) Cientistas observaram alguns grupos animais, algum pássaro (que não lembro), haviam indivíduos mais ousados que iam muito longe da área familiar do grupo, e outros que não gostavam tanto de sair de casa. Por quê com o tempo e intempéries e predadores não restou só o grupo mais caseiro?

Por que as coisas mudam. As coisas mudam o tempo todo.

Em épocas de vacas gordas, ficar em casa é uma boa. A geladeira está cheia, nenhum predador a vista, a vida é sexo, relaxar, sexo, comer, alguma coisa que pássaros fazem, sexo… Os mais saídinhos acabam tendo mais chances de se perder, morrer de fome ou virarem comida.

Aí vem o tempo das vacas magras. Um cometa caiu, um vulcão explodiu, qualquer coisa. Aqueles pássaros mutates (pra mim todo indivíduo é um mutante) com firmware de ficar em casa, vão ficar com aqueles sentimento “vai ficar tudo bem, passa logo, vou sentar aqui e esperar”, enquanto o mundo desaba. Os mais ousados e pirados só estavam esperando uma desculpa pra se mandar, eles terão o impulso natural de explorar e eventualmente achar um lugar melhor pra viver. O que não é difícil se a antiga área de morada virou um inferno de predadores famintos, fogo, enxofre e pagodeiros.

E assim a variedade de comportamentos dentro de uma mesma espécies é justificada pela utilidade que varia com o tempo e as mudanças de condição ambiental.

Caçadores e Coletores (que soa melhor que Catadores)

Antes da agricultura e da televisão, os humanos não paravam muito em casa, pelo menos não os homens. O grupo se fixava em algum lugar seguro, as mulheres ficavam com as crianças e os homens saíam pra caçar. Grandes caçadas podiam durar dias. Dizem que no tempo em casa as mulheres tinham tempo fazer observações mais detalhatas da natureza, como o crescimento das plantas, mudanças ambientais, e assim inventariam a agricultura. Quem inventaria a novela televisiva ainda não sei.

A caçada era uma coisa muito séria e tudo dependia dela. Força física era importante, e provavelmente todos os caçadores tinham o mínimo que a tarefa exigia, e quem não se enquadrasse teria o direito democrático de morrer. Mas como sabemos força não é o que torna os humanos (e parentes) especiais, características cerebrais como persistência, coragem, inteligência é que aumentavam a quantidade de caça levada pra casa.

Não seria surpreendente se aparecesse uma mutação que se encaixasse nesse estilo de vida.

Ascenção e Queda dos Caçadores Hiperativos

Descobri uma palavra interessante faz um tempo: Neurodiversidade. É uma forma de encarar algo que de outra maneira seria chamado deficiência mental, o que além de soar mal, não traduz muito bem a realidade. Como vimos no caso dos passarinhos caseiros e ousados, a neurodiversidade deles foi fundamental para sobrevivência da espécie às mudanças. É dito que a neurodiversidade é tão importante para uma espécie quanto a biodiversidade é importante para a vida em geral.

Existem várias condições cerebrais que poderíamos usar como exemplo, mas por um motivo arbitrário vou pegar aquela conhecida como Transtorno de Défcit de Atenção com Hiperatividade (e mais outros tantos nomes). O conhecimento sobre essa condição é relativamente recente, no começo sendo atribuída a problemas de caráter e criação, mas agora sabe-se que tem causas genéticas.

Como bem sabemos, não fosse uma característica útil não teria ajudado seu portador, e se fosse danosa o teria levado pra um caminho sem volta. Pensando nisso um cara chamado Thom Hartmann propôs a teoria dos Caçadores vs. Fazendeiros. Que é mais um esboço de uma teoria, uma hipótese ainda não verificada, mas com um bom fundamento e que já começa a ser estudada.

Mas primeiro algumas características dos portadores de TDAH (bem por cima, na wikipédia tem mais informações; eu também não faço diagnósticos, vá procurar uma médica se desconfia de algo; e não é verdade que todos são sexy, não tire por mim):

  • impaciência com tarefas chatas
  • impulsividade
  • inquietação física
  • sensação de estar sempre “na correria”
  • distração

E tem uma coisa extra, o tal do hiperfoco, que apesar do nome, não chega a ser um super-poder de quadrinhos, mas ainda assim é uma viagem. Apesar dos problemas em manter a atenção em tarefas regulares, quando está fazendo algo que considere estimulante o sujeito com TDAH pode passar muito tempo sem pensar em outra coisa, dirigir todos os esforços pra realizar a tarefa. Uma pena que nem sempre o que ele quer fazer é o que ele deve fazer, fato que no começo, juntanto as outras caraceterísticas, me fez pensar que TDAH era um bom disfarce pra preguiçosos e safados.

Programar pode ser estimulante pra uns (passei uns dias programando um negócio sem nem conseguir articular verbalmente o que estava fazendo, eu não queria parar; tinha um prazer estranho na atividade, dizem que os esportistas sentem isso) (percebi que faço parênteses grandes…), mas correr pelo mato atrás de um bicho selvagem deve ser o tipo de coisa que prende a atenção de alguém. Não essa porcaria de maricas ingleses caçando uma pobre raposa, mas correr como um louco com seu coração pra explodir e com sua vida dependendo disso. Ainda não inventaram videogame melhor isso.

As características de inquietação, distração e impaciência, como nos pássaros do exemplo anterior, compeliriam o caçador à perambular, aumentando as chances de localizar caça. Enquanto em movimento não sua atenção iria de um lado para outro, nunca se fixando por tempo demais numa bobeira qualquer, e finalmente quando aparecesse o jantar sobre quatro patas, o hiperfoco tomava conta, e nada mais existia exceto um futuro animal morto que insistia em correr. E o simples prazer de fazer isso.

Esses caçadores eficientes (e não super-caçadores, note bem) tinham mais chance de trazer comida, logo, viviam bem e saudáveis, logo, pegavam mais mulheres. Era uma época interessante, e os genes que carregavam essa característica deviam ser populares. Então no Neolítico surge a agricultura, mas essa não seria a “mudança de paradigma” que “colocaria todos os caçadores na rua”. O Downsizing só surgiria milhares de anos depois.

Aldeia do Neol�tico

A transição levou uma quantidade de anos com quatro dígitos, e a caça ainda estava em alta, tanto por motivos práticos quanto de status social, o que possivelmente dava aos nossos caçadores hiperativos licença pra terem suas esquisitices. E essa é minha deixa pra ir pro lado ruim da coisa.

Pelo que sabemos de evolução, a condição que chamamos hoje de TDAH não apareceu prontinha numa caixa com um rótulo e um logotipo da Umbrella Corporation (também conhecida no mundo real como Monsanto). A coisa simplesmente aconteceu, a natureza não decidiu que teria um tipo de humano bom em caçadas, foi só um cérebro não muito bem copiado (como um download estragado e sem verificação de md5) que calhou de produzir umas características boas. Contudo, outras coisas não foram tão bem.

Cérebros Normal e TDAH

A imagem acima mostra a atividade cerebral de uma pessoa estatísticamente normal, e outra com caso (muito, note bem, muito!) severo de TDAH. Os maiores défcits ocorrem no córtex pré-frontal superior (ex: orientação à objetivos, controle de comportamento social) e córtex pré-motor (ex: um tipo de função motoras que você vai saber indo na wikipedia).

Em outras palavras, a coleção de características do caçador hiperativo é resultado do fato de o bit que liga a chave de energia de dois brinquedos do parquinho estar levemente em 0 (digo “levemente” porque deve ser um qubit, o cérebro deve ser um computador quântico :P). Assim, a condição de TDAH vem inteiramente grátis com o que os médicos chamam de comorbidades, que são distúrbios secundários associados, e inteiramente opcionais – pode-se ter nenhuma, uma ou várias, e podem ser versões mais brandas do que nas pessoas que tem esses transtornos como desordem primária em seus cerebrozinhos. (Na verdade todos devem ter algo desses transtornos em níveis mais baixos, afinal, somos todos uma grande família.) Algumas comorbidades: Transtorno Desafiador Opositor (fãs do Rage Against The Machine), Abuso de Substâncias, Depressão, Humor Bipolar, Ansiedade, Tiques.

Voltando à evolução, da espécie e do problema, segundo a hipótese que estamos debulhando, os hiperativos contribuíram imensamente nos primórdios da espécie humana, continuaram úteis no início da agricultura, até suas vantagens se tornarem pouco relevantes para a espécie como um todo. E à medida que a sociedade se organizava, esses desordeiros se viam mais e mais deslocados; os comportamentos disfuncionais mascarados pelo estilo de vida primitivo começaram a vir à tona. E a coisa só piorou com o aumento da organização social e das expectativas de responsabilidade, confiabilidade, e outros *-dades.

E agora?

E agora perdi o fio da meada. Estava ruminando essas idéia faz um bom tempo, mas não conseguia organizar tudo. Daí uma hiperfocadazinha e um pequeno distúrbio de sono e pronto, feito o serviço. (Mas nem fudendo que vou fazer uma revisão nisso tudo agora.)

Desde que soube da minha condição (por causa dos problemas de vida decorrentes), provavelmente passei por alguma lista de fases clássicas (negação, raiva, etecetera), mas quando descobri que existia uma explicação dos motivos de se nascer desse ou de outro jeito a coisa melhorou bastante. Quero dizer, além de uma boa história é uma explicação muuuito melhor do que “é porque Deus me odeia”.

De fato me sinto até parte de algo útil é bom saber que além de crianças com o dobro de membros e vacas 2 cabeças de Chernobyl, essas mutações podem trazer novidades interessantes. Outro dia assisti no SeuTubo um documentário do canal discovery sobre geneticistas que querem isolar mutações benéficas raras e possívelmente colocá-las nas próximas gerações. Os mutantes em questão eram: um cara que pode subir a temperatura corporal com o pensamento e assim resistir a temperaturas baixíssimas por muito tempo; uma moça com sinestesia, que é a fusão de percepções, e que fazia ela ver cores e sentir gostos associados aos sons (considero isso muito útil pra determinar categoricamente que existe péssimo gosto musical; imagine a coitada vomitando num “show” do créu); um cara que podia fazer cálculos enormes, sem ser autista; e um pintor cego (ele nasceu sem olhos) capaz de fazer perspectivas. O nome do vídeo é The Real Superhumans, e acabei de ver que a versão completa foi tirada do SeuTubo por questões de direitos autorais. Sugiro que procure em algum outro lugar.

Genetic Fashion Week

Por um lado é legal que possamos multiplicar “genes bons” pras próximas gerações, por outro corremos os risco de decidir o que é bom e o que é ruim baseado na moda da semana. Se pudéssemos escolher amanhã como seriam nossos filhos, a chapinha seria extinta numa geração porque todo mundo teria cabelos lisos, possivelmente olhos azuis e não menos que 1,80m de altura. E, é claro, um pirocão desse tamanho! Um Q.I. enorme também seria bom pra aprender a julgar o que é sensato, mas opa, inteligência não é o mesmo que sabedoria (como sabe qualquer jogador de D&D), e isso não é genético.

Outra coisa que as modinhas podem fazer é extinguir “genes obsoletos”. Mas como saber que algo não vai ser útil depois. Se o estabilishment dos pássaros que não saem de casa extinguisse o gene dos porraloucas aventureiros e mais tarde isso se tornasse necessário pra sobrevivência da espécie? Como que ficava? Não ficava, oras.

Então quando perder a paciência com seu amiguinho TDAH (ou autista, ou bipolar, ou com síndrome de Tourette, ou Emo) respire e repita o mantra: Neurodiversidade é tão boa para espécie quanto a biodiversidade é para vida.

Agora, o irônico mesmo dessa hipótese do cérebro de caçador é o fato de eu ser vegetariano…

Vegetarianos Perturbadores II

perguntei por que ser (ovolacto)vegetariano perturba tanto as pessoas. Antes até tentava responder a famigerada pergunta “por quê?”, mas essa sempre é uma pergunta retórica. A resposta é ignorada (às vezes nem me deixam terminar, ou mesmo começar!), e o que se segue é zoação, que é o filé da conversa.

Ok, agora a resposta padrão vai ser: “pra saber quantos viados vão perguntar.”

;P

Vitória: Night of The Dead

Sempre gostei de filmes de mortos-vivos. São todos legais, mas recomendo (arbitrariamente) “A Volta dos Mortos-Vivos” e “A Noite dos Mortos-Vivos”. Agora se você quer algo realmente capaz de fazer seu coração disparar (ou parar), só mesmo morando nos barracos construídos na encosta atrás do cemitério de Vitória-PE.

Quinta-feira passada quando voltava pra casa depois de cinco dias de clausura e hiper-foco pra fazer o projeto da disciplina de compiladores, me contam que uma grande chuva encheu a cidade de água. Falavam de 1 metro no centro da cidade (uma das áreas mais baixas).

Voltando ao cemitério… Ah, você não quer voltar ao cemitério? Boa sorte com isso. Agora, voltando ao cemitério, ele é o único da cidade (oficialmente, não sei dos canaviais), é bem antigo e razoavelmente grande. Além das covas e mausoléus (minha família tem um lá, mas eu preferia ser cremado, mas aí podia acabar vendido como tempero por engano) também se usam aqueles conjuntos de gavetas, construídas de concreto fino e que em dias de muito sol parecem um forno de carne humana. Bem insalubre, não passe por lá em dias de muito sol. Ainda sobre os gaveteiros, vários foram construídos encostados no muro de trás, e do outro lado do muro, os casebres, pra baixo deles a velha linha de trem desativada (infelizmente).

Acontece que na última quinta a água da chuva foi se acumulando no pé do muro de trás do cemitério até causar seu desabamento, junto com ele foram os gaveteiros e seus ocupantes, estes ficaram (literalmente) espalhados por toda parte ladeira abaixo. Seis barracos foram destruídos (ninguém mencionou vítimas) e tudo foi cercado pelos não-vivos. Disseram que além dos esqueletos haviam corpos ainda em processo de decomposição. Deve ser à cenas como essas que a palavra “tétrico” se refere.

O JC Online tem uma reportagem com números mais precisos e um vídeo.

Tanto Sucesso Que Não Funciona

Tentanto resolver um problema com o Banco do Brasil, liguei pra central de atendimento. A gravação do outro lado da linha me diz:

“Devido ao enorme sucesso do atendimento, nossas linhas estão congestionadas. Espere um pouco e tente outra vez.”

Ok. Algumas vezes precisamos fazer comparações pra entender melhor os acontecimentos.

Mudança de cenário: algum quarto de motel um sujeito qualquer, uma gostosa e um pênis flácido. O dono da brocha diz:

“Devido ao enorme sucesso do meu pau, não posso atendê-la agora.Tente outra vez mais tarde.”

Provavelmente isso tudo foi non-sense, mas estou muito puto com o banco, e sei que é só o começo… ><

SimCity Societies para Governantes Populistas

Anteontem li no blog do Roger Lovato uma análise do SimCity Societies, parece que agora o prefeito não precisa mais se preocupar com detalhes insignificantes e focar na satisfação do povo. Onde construir as residências? Pergunta pro assessor. Como a eletricidade vai chegar nas casas? Basta construir uma usina que ela chega sozinha. Transportes públicos? Ah, bota um metrô ali que as linhas aparecem. Onde? Não importa, acho que no subterrâneo, o que importa é que aparecem. E o dinheiro? É infinito! Responsabilidade fiscal é para fracos. O que interessa é a felicidade, e o amor, do povo.

Uma coisa que notei num dos trailers foi a constante visão de cartazes e telões enormes com uma figura que parecia ser o líder político da cidade. Algo desse naipe:

“Nosso Amado Stalin é a Felicidade do Povo”
(“Nosso Amado Stalin é a Felicidade do Povo”)

Vamos recapitular as duas qualidades chave do governante do jogo:

Acho que vou continuar com LinCity-NG ou o Super Trunfo com Políticos.

Update: pensando melhor, se é tão difícil gerenciar uma cidade com tantos detalhes, eles poderiam fazer um SimCity multiplayer com os jogadores assumindo vários papéis na administração da cidade. Provavelmente teria de ser assíncrono e hospedado num servidor, mas isso significaria mensalidades.

Influência de Tropa de Elite no Ambiente de Trabalho

<eu> E aquela parada dos repositórios?

<identidadeprotegida> Ah, aquilo tá assim, assado…
(… mais algumas complicações técnicas …)

<identidadeprotegida> mas essa pica não é mais minha.. é do aspira

Update: e isso aqui é obra do Osvaldo (o hack e a foto):

Senta o Dedo Nessa HP

E eu aprendi uma coisa importante hoje: que blututi é legal, e que aquelas pastas “Audio clips”, “Documents”, “Games”, “Images” e “Video clips” do N800, ficam em “/home/user/MyDocs” com os nomes “.sounds”, “.documents”, “.games”, “.images” e “.videos”, respectivamente.

Update 2: e aprendi também (com o Lauro) que uma coisa pode virar duas no meio do caminho, e que eu posso esquecer de corrigir o começo da frase quando as duas coisas ainda eram uma. :P

II ENSL

Como disse antes, fui no II ENSL em Aracaju. O evento foi muito legal, e embora eu tenha ficado com febre do sábado até chegar em casa na segunda, pude aproveitar bastante. O gentil pessoal do IV Fórum GNOME me deu uma camisa do GNOME (brigado Izabel :), me deixando bem feliz (“Alegria de nerd é ganhar camiseta”, já dizia a Priscila aqui do INdT), em troca tive de dar uma entrevista surpresa. Mico! Pelo menos a febre cedeu pelo tempo de apresentar minha palestra sobre o Glade, e mais a palestra do Kenneth sobre o Eréseva – ele não pôde ir, perdeu, perdeu :P.

Vou deixar mais detalhes sobre o evento nas mãos da peixebeta. Mas tenho de falar da hospitalidade viking de Marden, Sandro & cia, que nos (== a comitiva do Debian-PE) recebeu na casa deles. Nunca tinha viajado pra tão longe e não sabia que seria tão bem-vindo. Vocês foram demais. :)

Despedida dos Vikings de Aracaju
Essa foto resume o espírito da viagem

As viagens de ida e volta também foram interessantes. Na ida, um pneu estourado no meio do nada de meia-noite, os caminhões quer passavam a toda pareciam naves espaciais. Na volta andamos na balsa do São Francisco. Rio bonito da gota! Outra vez eu volto lá pra nadar. E depois horas e horas de cana-de-açúcar pra lá, cana-de-açúcar pra cá. Não acabava nunca! Luciano ficou no volante por 12h (só a volta) comigo febril do lado cantando junto com o CD Player. Não sei como ele e o povo atrás do carro agüentaram.

Coloquei os slides no slide share: Mantendo a Sanidade com o Glade